Foto Arquivo Pessoal/Divulgação - Marketing Uniube: Maricélia celebra formação em Gastronomia aos 55 anos

Com o sonho de ingressar no ensino superior adiado por anos, a egressa celebra a superação de barreiras impostas por uma vida difícil, a conquista do primeiro diploma e o sucesso como empreendedora

Por muitos anos, além das obrigações corriqueiras da rotina, dois sonhos moveram Maricélia de Souza no dia a dia: morar em uma cidade com mais oportunidades e estar na sala de aula de uma universidade. A realização do primeiro aconteceu no início dos anos 2000.

À época, a baiana, fruto da relação de um casal que teve 11 filhos, foi convidada por uma das irmãs — que se mudou para viver com uma tia — a visitar Uberaba. Ao conhecer a capital do gado Zebu, a mulher, que hoje tem 55 anos, enxergou na terra das sete colinas e dos dinossauros a oportunidade de ter não apenas um novo lar, mas também uma nova vida.

Retornou à Bahia e em um intervalo de meses após ter visitado o lugar ao qual a tia e a irmã já estavam estabelecidas há um tempo, Maricélia decidiu deixar para trás, em 2003, as histórias que havia escrito, até então, para iniciar uma nova jornada em solo mineiro.

A vida na Bahia

Desde muito nova, Maricélia e os demais irmãos tinham que ajudar os pais. “Meu pai trabalhava na roça. Quando nós não estávamos na escola, ele levava a gente. Lembro que ele colocava dois suportes num cavalo ou jegue e todos nós íamos dentro. O nome do suporte era caçuá — feito de bambu. Eu também ajudava minha mãe nos afazeres da casa”, relembra.

O pai, de perfil rigoroso, como conta, cultivava feijão, milho e banana. Além da menina de 11 anos, que ia para a roça cozinhar, à época, mais cinco irmãos subiam no caçuá e se deslocavam junto com o homem até a área de plantio.

Já na fase adulta, trabalhou por dois anos como recepcionista em um hospital da pequena América Dourada, cidade do interior baiano onde veio ao mundo. A saída da recepção hospitalar ocorreu depois do casamento, com a necessidade de se dedicar à família. Dessa relação, nasceram três filhos.

Além de cozinhar na roça e ajudar nas tarefas domésticas durante a infância e a adolescência, ser dona de casa ao se tornar esposa e mãe também fez Maricélia descobrir o gosto pela cozinha. “Eu comprei um livro de receitas e comecei a fazer cardápios elaborados só para a família. Esse livro eu comprei no ano 2000 e tenho até hoje.”

Foto Arquivo Pessoal/Divulgação - Marketing Uniube: Visita à França ajudou Maricélia durante a graduação

Mudança e recomeço

O desejo de morar em uma cidade com mais oportunidades, a busca pela melhora nas condições de vida e o divórcio contribuíram para a mudança de Maricélia, mas a nova realidade impunha a necessidade de arranjar trabalho para sustentar os filhos e adiava o sonho de entrar na universidade.

“Achava um sonho difícil de realizar pois eu sou de família humilde e precisava trabalhar para alimentar meus filhos. Mas nunca tinha perdido a vontade e a esperança de realizar”, afirma.

A virada de chave aconteceu quando Maricélia teve a oportunidade de ingressar no curso de Gastronomia EAD da Uniube por meio do programa Bolsa 100%, que dá desconto integral em cursos de graduação.

Maricélia destaca a importância da formação, comentando que já se deparou com muitas pessoas habilidosas na cozinha que não conseguem evoluir por causa da falta de conhecimento e preparo técnico.

Outro comentário é que além do livro de receitas comprado em 2000 ter ajudado na graduação, uma experiência nunca antes imaginada acabou acrescentando bastante na formação. Maricélia foi convidada por um amigo para conhecer a França.

A estadia no país europeu durou dez dias, tempo suficiente para conhecer o chef e dono do Lá Petit Mignon e provar alguns sabores da culinária francesa. “Eu nunca tinha imaginado sair do Brasil para conhecer uma gastronomia que eu já estava estudando. Amei os macarons e croissants. Foi tudo muito mágico”, lembra.


Foto Arquivo Pessoal/Divulgação - Marketing Uniube: Maricélia provou os sabores da culinária francesa durante dez dias

Vovó Mari

Os elogios dos amigos que conquistou em Uberaba e o preparo proporcionado pela graduação fizeram Maricélia tirar do forno das ideias um novo objetivo, o de empreender. Decidiu, então, pedir para sair da fabricante de materiais descartáveis e vender marmitex no condomínio em que vive.

Nascia o “Vovó Mari Comida Caseira – Tempero que abraça o coração”. “As pessoas já tinham me dado a ideia, só que eu não acreditava em mim. Depois do curso encontrei coragem e montei meu negócio de marmitex.”


Aos 55 anos, vivendo em terras uberabenses há cerca de duas décadas, com os filhos criados e independentes, um empreendimento para administrar e, agora, graduada em Gastronomia pela Uniube, Maricélia celebra a nova vida, dizendo que pretende seguir estudando e que ainda se encontra em uma fase de reconhecimento próprio por tudo que conseguiu realizar até o momento.

“Estudar é a melhor forma de enfrentar dificuldades e assim eu fiz. Quando eu passava na avenida da Uniube, eu pensava: ‘quem estuda nessa Universidade é só quem pode’. E hoje eu tenho orgulho de dizer que sou Uniube. Nunca imaginei que eu seria uma dessas pessoas”, finaliza Maricélia.

Vander Souza | E-mail: assessoria.imprensa@uniube.br

Comentários

Postagem Anterior Próxima Postagem